A Maravilhosa e dedicada Dona Alice, por Lourenço Viana 9ºB
É casada?

Têm filhos?
Sim, tenho dois filhos.
Têm netos?
Não, mas espero ter.
O que queria
ser quando era pequena?
Queria ser enfermeira!
Quanto tempo
fez este trabalho?
Trabalhei durante 34 anos.
Quantas
pessoas havia na cozinha?
Havia 6 pessoas na cozinha .
A que horas
tinha de vir trabalhar para conseguir cumprir os horários e estar tudo pronto à
hora de almoço?
Acordava todas as manhãs às 6:50h para estar na
escola das 8:00h às 16:00h. No entanto, só saía às 19:00h.
Quantos
alunos comiam na cantina quando a escola abriu? E agora?
Quando a escola abriu tinha aproximadamente 3000
alunos indo apenas ao refeitório entre 210 a 220 estudantes. Com o esforço e dedicação, eu e a minha equipa conseguimos
criar refeições compostas , equilibradas, higiénicas e desinfetadas. Agora aproximadamente
1000 alunos da escola, a maioria, vai ao refeitório.
Qual a comida que lhe dava mais trabalho a
fazer?
A comida que me dava mais trabalho a fazer era salsichas
enroladas em couves.
Como era o
ambiente na cozinha?
Havia muita alegria, contavam anedotas, riam
muito, cantavam, faziam música com os tachos e os talheres, faziam partidas (trocaram
a água por vinagre)...
Quem dava as ideias?
Às vezes era eu.
Quem impunha
a ordem e orientava as tarefas?
Era eu que orientava a cozinha (organiza as
pessoas, dividia as tarefas e certificava-me de que tudo era feito a tempo) era
também eu que preenchia o mapa das entregas dos produtos.
Teve de
alterar a sua maneira de cozinhar ao longo do tempo?
Ao longo do tempo a minha maneira de cozinhar
foi-se alterando e adaptando às necessidades dos alunos.Com o tempo eu e a
equipa fomos aprendendo a fazer refeições compostas e equilibradas, completas e
com o máximo de qualidade. Mais vale a qualidade que a quantidade.
Em algum
momento houve alterações na disposição da cozinha? Se houve essa necessidade…
Ao longo do tempo a cozinha foi “evoluíndo”,
ganhando mais eletrodomésticos, maior qualidade e maior capacidade para
conseguir fazer as refeições. Comprámos uma máquina para picar carne, evitando
assim a possibilidade de ser adulterada…
Quem era o
professor Lucas?
Deu nome à escola, brincalhão, divertido,
bem-disposto e alegre, o professor Lucas era dedicado à escola 100% .Telefonou-me
um mês antes de morrer para despedir-se. Quando morreu, houve uma enorme
homenagem com milhares de alunos, amigos e familiares com mensagens e flores a
homenagear a grande pessoa que foi.
Como era a
escola antigamente?
No início a escola tinha apenas alguns pavilhões
em Algés e algumas secções atrás do Aquárius de Linda-a-Velha. Foi depois construída
a atual escola.
Antes havia carências económicas, alimentares, afetivas.
Havia uma grande instabilidade por parte dos alunos, a escola era muito
vandalizada (alguns alunos saltavam o muro para irem tomar banho no lago,
pegavam fogo às cortinas...etc...)
Como é que a
escola resistiu às empresas de confeção de comida?
A escola resistiu às empresas de confeção de
comida porque a cozinha da escola, para além de ter as condições necessárias, a
história e o espírito, não causava prejuízo.
Qual era
melhor coisa do seu trabalho?
A melhor coisa do meu trabalho era a interação com
os alunos e poder trabalhar com a minha equipa fantástica.
Os alunos
gostam muito de si. Porque acha que isto acontece?
(Ri) É por
ser alegre e defender sempre os alunos..
Foi feliz na
sua vida de trabalho? Gostou do que fez?
Muito, era uma alegria vir trabalhar todos os
dias, gostava do que fazia.
D. Alice, por Inês Chagas, 9ºB
A dona
Alice diz que o agrupamento estragou a escola porque fez com que muitos
funcionários antigos, que criaram laços com os alunos, se fossem embora e, para
alem disso, fez com que os funcionários ficassem menos tempo nas escolas;
A
ementa era feita semanalmente e a pensar nos alunos;
Diz
que saiu da escola com muita mágoa;
Casou-se
com o funcionário mais antigo da escola, o senhor Pedro, tem dois filhos e um
deles já se casou. Trabalhou na escola 34 anos e 6 meses;
Nasceu na Régua em
Trás-os-Montes e quando era pequena queria ser enfermeira;
Começou
por ser empregada doméstica por isso desde cedo que teve contacto com a
cozinha.
Entrou
na escola com 26 anos e ficou muito espantada e confusa ao ver aquelas panelas
e tachos enormes e ao ver que tinha que cozinhar para mais ou menos 200
pessoas. Nos primeiros tempos fez algumas asneiras como deixar o arroz empapado.
Mas foi isso que, juntamente com muito amor, paixão, dedicação e a sua equipa
fez com que conseguisse transformar o refeitório naquilo que é hoje.
O
diretor de que mais gostou foi o professor Lucas, que se dedicava a 100 por
cento à escola. Esta era a sua casa e ficava até mais tarde a tomar conta e a
cortar/aparar os jardins. Era vaidoso, tinha estilo, usava roupas rebeldes e
era bem-parecido. Infelizmente morreu de cancro e um mês antes de morrer
telefonou à D. Alice para lhe agradecer. Quando morreu, a carrinha funerária passou
diante da escola e parou. Estavam centenas de ex alunos, funcionários e
professores a fazer uma marcha em honra do professor e encheram as redes da
escola com cartões com mensagens e flores, e foi em honra dele que a escola
secundária de Linda-a-Velha passou a chamar-se escola professor José Augusto
Lucas;
A D. Alice tinha de se levantar às 6 da
manhã para cumprir o seu horário que ia das 8 da manhã até às 4 da tarde. Era
ela que era responsável por fazer as encomendas, dar as entradas e calcular os
gastos no final;
A D. Cidália, que entrou ao mesmo tempo
que a D. Alice, ainda se mantém no refeitório e por isso está a substitui-la;
A D. Alice gostava muito do que fazia, mas devido às horas
que permanecia em pé, os ossos começavam a doer. Então desde cedo que começou a
ir à fisioterapia. Agora que saiu, ainda se mantém ativa com encomendas e com a
fisioterapia mas sente imensas saudades dos alunos;
Desde sempre que a D. Alice não gostava de ver os alunos a
comerem no bar, então foi cada vez melhorando a ementa e a comida ao longo do
tempo até que desde há alguns anos a maioria dos alunos da escola almoçam ao
refeitório;
A D. Elvira era o seu braço direito, tinha imenso cuidado
com a parte higiénica da confeção dos alimentos e era muito divertida, o
ambiente na cozinha era alegre e divertido e pela altura do carnaval faziam
partidas como, por exemplo, pôr vinagre na garrafa de água da D. Alice, pôr uma
barata na salada, etc…;
A refeição que mais lhe dava trabalho a fazer era as
salsichas enroladas em couve lombarda.
bons momentos e belas partidas te preguei beijitos Alice tudo corra bem
ResponderEliminarbons momentos e belas partidas te preguei beijitos Alice tudo corra bem
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